Recebi uma oferta de estágio!
Mentira! Mentira? É verdade!
Não soube como reagir ao certo.
Era uma oportunidade a qual estava procurando para incrementar o intercâmbio.
Não sei se todos sabem, mas aqui no Reino Unido é bem complicado conseguir
participar de cursos na área de saúde pelo Ciências sem Fronteiras. Então o que
normalmente é feito é uma alocação para cursos de ciências básicas que têm
relação com a medicina. Logo, escolhi fisiologia e farmaco. Mas tinham muitas outras
opções tais como curso aplicado à anatomia, microbiologia, infection diseases,
neurophysiology... etc.
Bem, se eu parar para falar sobre o curso que acabou de acabar e todas as experiencias vividas por aqui até agora, acho que terminarei só no Brasil (em 3 meses). Por isso resolvi escrever a partir desse momento em diante porque pelo menos não mais deixarei passar as próximas situações vividas.
Bem, se eu parar para falar sobre o curso que acabou de acabar e todas as experiencias vividas por aqui até agora, acho que terminarei só no Brasil (em 3 meses). Por isso resolvi escrever a partir desse momento em diante porque pelo menos não mais deixarei passar as próximas situações vividas.
Domingo à noite. O que esperar? O que levar? Quantos dias e quantas horas ficaremos no hospital? A única coisa que soube responder é que teria que acordar umas 5:30, pegar o ônibus 508 às 6:43 em frente à estação de bombeiros, chegar à Halifax bus station, pegar o 503 em seguida e parar próximo ao Calderdale NHS Hospital. Ok! Reunião às 9:30.
Cheguei 8:15. Bem, melhor adiantada do que atrasada. Pelo menos no primeiro dia. Estava com meu amigo Augusto. Resolvemos dar uma passeada num parque que fica ao lado para não ficarmos esperando muito tempo sentados. Procurei logo um cantinho quente ao sol, já que estava frio. Deitei no banco do parque e cochilei por uns bons 40 minutos. Ao som dos passarinhos. Maravilha, pronta para começar!
Dando uma de matuta, fotinhas na entrada.
Fomos ao encontro da pessoa encarregada por nos receber. Learning Center. Assinamos papéis, visitamos a biblioteca, as salas de estudo, acomodação... acomodação? Sim, fomos perguntados se queríamos ter nosso próprio quarto no hospital. Nos entreolhamos. “Is up to you. Give us the answer tomorrow”. Fine, perfect. E assim seguimos para nossas alas específicas. Estava impressionada com o carinho e a atenção que cada um tinha conosco.
Caminhamos um bocadinho num labirinto de placas, quartos, alas e pessoas até a Ward 2. Fui deixada aqui e os outros seguiram. A primeira impressão não foi a das melhores. Tinha uma lady doctor que não gostou muito da ideia de ser observada. Então, poucas palavras. Fiquei de 10 às 13 só vendo como funcionava o sistema. Nothing very special. Depois do almoço falei com o meu tutor, Dr. Scriven, vi algumas visitas de quarto e fui para o anfitetro de cirurgia. Lá estava Augusto e o seu tutor. E como era segunda feira, dia das intervenções, pedi para observá-los. Achei super interessante. Assisti à uma reconstrução de joelho e outra de quadril. Minhas primeiras experiências com cirurgias ortopédicas. Hard core. Estava no meio de martelos, furadeiras, pistolas de “cola”, uma equipe de profissionais muito harmônica e uma infinidade de metais sobre a mesa.
Não sei como, mas o tempo voou e só depois de 13 horas no hospital, retornamos à Leeds de carona com o cirurgião.
Pensei em arrumar minhas coisas e
fazer a mudança logo pela manhã. Mas entre preparar o que comer, jantar, tomar banho e falar com minha família e
alguns amigos, não sobrou tempo. Nem pra dormir direito. Preferi descansar um
pouco mais e retornar à Leeds para
organizar-me com mais calma.
E assim foi. No segundo dia
tivemos uma timetable repleta de palestras, nossa induction. O que me chamou
atenção foi a preocupação e o cuidado que eles têm com biosegurança e bem estar
dos pacientes. Controle de infecções, controle de incêndios, cuidado no
manuseio/movimentação de coisas pesadas (moving and handling), sistema de
informação dos pacientes, proteção a pessoas vulneráveis e os quatros
”comportamentos-chave”*. Esses foram os tópicos abordados.
São muitas as medidas que eles
adotam para evitar incendios. Janelas sempre fechadas, portas duplas com
resistência ao fogo por 60 min, alarmes em todos os compartimentos, staff
treinado para qualquer episódio, inspeções muito frequentes aos intintores...
*Estão relacionados com o que denominam de compassionate
care: putting the patient first, go see, work togheter to get results and do
the must-do’s.
It finised quite early e já
estávamos liberados naquele momento, around 2:30pm. Percebi que meu bilhete de
bus valia para o dia todo and why not doing my move today? Voltei pra Leeds,
fiz o supermercado, arrumei comidas, roupas e alguns livros e saí com minha
mudança nas costas.
Cheguei tarde, por volta de 9:15pm. Me informei qual seria a melhor entrada para a acomodação. Dei uma volta enorme pra chegar e não ter acesso. Só pela entrada principal. Voltei para a main entrance, 9:32. Fechada desde 9:30. Só pela emergência agora. Andamos eu e minhas bolsinhas até encontrar David na secretaria. Senhor muito simpático, “I’ve been working here 26 years from now”. Ajudou-me com as malas até o quarto. “I wish you a nice stay”! E quase respondi: merci! Acho tão bonitinho essa forma de obrigado.
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